8 de abr de 2018

Capítulo 14 - Aniversário e Casamentos


História de dois ex-militares que amam o perigo e o trabalho. 

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Capítulo 14
Aniversário e Casamentos


Resumo do capítulo anterior: Carol, com a ajuda do marido, coleta material genético de Eduardo, sem ele perceber; Elisa conversa com André, deixando ele e Carol furiosos; na academia de ginástica, André e Carol reencontram Elisa, que os convida para um futuro jantar.



Lembranças de um casamento



Madrugada de sábado para domingo.


Apesar de já ser quase manhã, enquanto André se arrumava para dormir, Carol escrevia em seu diário os acontecimentos daquele dia especial:



O casamento de sua amiga Nelly; André fazer novos amigos (Marlon e Mário); a descoberta de robôs com inteligência artificial, como Patrick (que tinha impressionado tanto ela quanto André); o reencontro com sua nova amiga Elenor, quando puderam trocar contatos; e rever Leena, a filha de Elenor, a quem Carol tinha se apegado muito. Por coincidência, André lhe falava que se tivessem uma garota, o nome dela seria Carolina, o que acabaria deixando idêntico o som do nome das duas meninas: Leena e Lina.


A felicidade de Nelly já era esperada, assim como merecida, mas rever Elenor e Leena foi uma grande surpresa e mexeu com ela, pois Carol queria muito ter filhos; André estava cumprindo a sua parte para que conseguissem ter um bebê, mas Carol achou que a própria ansiedade estava impedindo-a de engravidar.


A pequena Leena era careca, pois sofreu de uma doença rara e perigosa chamada “Ameaça Tripla”; e o tratamento fez com que seus cabelos caíssem. No entanto, ela recentemente tinha se recuperado, mas Elenor lhe disse que ela sempre perguntava quando os cabelos cresceriam logo e, por isso, Carol anotou de perguntar a Rosa Verdeclaro a indicação da poção capilar superpoderosa para que sua amiga a usasse na pequena.

* Peço que confira o Capítulo 6 de Axl Logan (escrito pela minha amiga Sally Winter) para conhecer Elenor e Leena e se apaixonar por elas; e assista ao lindo casamento dos incríveis detetives Nelly e Marlon neste capítulo de Casos Ainda não Solucionados (da minha amiga e autora Denise Martins).


Também se lembrou de quando André a tirou para dançar.


André entrou no quarto sem fazer barulho e contemplou a esposa. Ao mesmo tempo em que pensava: “Parece tão pequena e delicada quando está assim, porém é tão resistente e forte. Tão linda que nem precisa de maquiagem ou joias. Como resistir a ela?”.


— O que está fazendo aí parado? Entre e feche a porta enquanto termino aqui! – Carol tinha percebido quando ele entrou no quarto, mas não se incomodava em André vê-la escrevendo no diário.


— Tá escrevendo o quê? Tá relatando o quanto eu sou forte e charmoso? – André disse, antes de fechar a porta.


— Sempre metido! A sua sorte é que gosto de você. – Carol respondeu, após fechar o diário e colocá-lo sobre o criado-mudo.


— Está tão bonita. Porque não solta o cabelo?
— É que... – Carol ia dizer que não via necessidade já que iam dormir, mas com as carícias de André, mudou de ideia e colocou em prática um pequeno plano que lhe veio repentinamente à cabeça. – Eu estava querendo fazer uma pequena surpresa.


Carol soltou o cabelo e desamarrou o roupão, revelando uma camisola de cetim e renda, novinha, para surpresa do marido, já que ela evitava usar roupas mais provocantes e até mesmo mostrar-se sem roupas para ele. Até mesmo sozinha, ela escondia seu corpo e evitava olhá-lo; jamais sequer andou só com roupas íntimas em seu quarto. No entanto, aquele momento representava uma vitória para ela, que vinha lutando interiormente para sentir-se mais confiante em relação a si mesma. E agora ela já colhia um resultado: sua timidez estava indo embora, mesmo que aos poucos.
— Assim está bem melhor! – André disse, puxando-a para si.
— Mas não temos tempo de fazer nada. Esqueceu que daqui a pouco temos uma festa para ir? – Carol disse, enquanto ria. Ela se achava péssima na arte da sedução, pois ria ao invés de fazer caras e bocas.
— A festa começará ainda de manhã, mas não precisamos ser os primeiros a chegar. E relaxe! Só quero te dar um beijo.


Como Carol tinha previsto, não ficou apenas no beijo, mas ela também não reclamou (já que isso nem lhe passou pela mente). Ao invés disso, ela tinha gostado e correspondido com entusiasmo.


Os dois nunca tinham tentado ter um bebê de forma mecânica. E, daquela vez, não foi diferente.





Preparação e Presentes



Domingo, 9h da manhã.

Apesar das poucas horas de sono, todos tinham acordado bastante animados. E após o café da manhã, enquanto Carol terminava de limpar a mesa para poder ir à casa de Rosa e Jason, André e Pedro foram jogar videogame sob a supervisão de Marta e com apoio da própria Carol.


— Oi, gente. Vamos? Não quero chegar atrasada. – Carol avisou ao chegar à sala.
— Só um momento, pois ele está me roubando! – André pediu enquanto acusava o pai. – Tenho que tirar a desvantagem.
— Roubando nada! Já te falei que você já passou da idade de ter aprendido a jogar. – Pedro se defendeu.
Marta reparou a roupa de Carol e foi falar com a nora.


— Você vai sair vestindo isso?
— Sim. É prático e confortável. E como Rosa e Jason disseram que não precisamos de formalidade, eu achei maravilhoso porque a maioria das roupas que trouxe já foi usada. – Carol enumerava os motivos da escolha de camiseta e calça, mas foi interrompida por Marta.


— Claro que não precisará de formalidade.  E lá também estará com um calor de 50 graus para fritar nossos miolos, além de outras “coisas”. Para sua sorte, eu acho que tenho algo que serve em você.
— Não precisa, D. Marta. A roupa está...
— Não discuta e me siga até o ateliê.


Não restou muitas alternativas a Carol, que preferiu acompanhar a sogra. Desde que Marta começou a conversar com sua esposa, André esqueceu completamente o jogo e seguiu-as com o olhar.


Marta tinha feito um vestido para Carol, mas não sabia como lhe dar o presente sem parecer que tinha amolecido. Achou que aquele momento era muito oportuno.
— Fiz este vestido, mas a dona esqueceu de vir buscá-lo. Experimente e veja se fica bom.
— Eu não sei se é boa ideia. Ela pode vir buscar e a senhora já me arrumou o vestido de ontem. Agradeço de novo.
— A outra nunca veio. Se ela realmente vier e pagar, faço uma nova roupa. O tecido era meu e faço o que quiser com ele. Sobre o vestido de ontem, é passado. Agora se vista para eu ver como ficou!
O vestido usado no casamento também tinha sido feito pensando em Carol, e Marta, que sempre tinha querido ter uma filha, não queria parecer que estava comprando o carinho da nora após tantas brigas.
“Pedro tem razão. Sou manteiga derretida. Que droga!”, pensou Marta.


— Tudo bem. A senhora é quem manda. – Disse Carol, enquanto se dirigia ao banheiro que servia também como trocador.



— E então? – Carol pediu a opinião da sogra ao sair do toalete.


— Ficou bonito em você. – Marta aprovou, mas séria.


— O vestido é lindo e fresco, mas atrás é tão decotado! Pensei que a senhora não concordasse com roupas ousadas.
— Usar decotes para dar em cima de todo mundo, inclusive em cima do homem dos outros sempre desaprovarei mesmo! Mas assim como ontem, você estará ao lado de seu marido e o que não vai faltar lá serão mulheres sonsas, paquerando com todos, sem respeitar nada e nem ninguém. – Marta comentou.


Marta não tinha esquecido que Rosa tinha se interessado por Pedro*.


Carol também não se esquecia de Rosa gostando de seu esposo*.

* Confira o Capítulo 3 e o Interlúdio I.


— Tem toda a razão. E eu estou pronta. Vamos?
— Com este cabelo preso? Acabou de esquecer que trepadeiras estarão por lá? Vou te ajudar com o penteado.


Ao voltarem à sala, André aprovou as mudanças feitas pela mãe.




Aniversário



Domingo, 10:30h da manhã.


Ao chegarem na casa dos Verdeclaro, havia muitos carros em frente e a única vaga disponível ficava logo atrás de um carro esportivo verde-neon e com desenho de vinhas.


— Interessante. Nunca vi um carro com esta pintura. De quem será? – Pedro analisou.
— A pintura é o de menos. Tá vendo o modelo? Tô louco para saber da potência dele. Já pensou se eu tiver acesso ao motor? - André disse, interessado.
— O carro é bonito mesmo, porém, mais alguém além de mim pensou no gasto mensal de gasolina? – Marta disse, preocupada.
— Melhor deixarmos os nossos amores automotivos e econômicos para depois e pegarmos os presentes. Lá vem os pais da criança.


Rosa e Jason ouviram o som de mais um carro chegando e foram recebê-los. E Rosa aceitou, agradecida, os presentes dados a filha.


A festa estava animada, com todos conversando entre si e os amigos plantas-sims de Rosa se apresentavam aos moradores dali.


— Está gostando? – André perguntou à esposa.
— Sim, e tem mais gente do que imaginei. – Carol respondeu.
— Venha. Vou te apresentar ao resto do pessoal que você ainda não conhece.


Logo atrás deles, duas meninas conversavam:
— Seja sincera: você ainda está chateada porque Jaime preferiu a mim. – A loura Sandra conversava com Juliana, sua ex-amiga e atual rival.
— O caso não é este. Você o tomou de mim e acha que outra não pode vir e fazer o mesmo com você? É muita ingenuidade ou burrice numa pessoa só!  – A ruiva Juliana respondeu.
As duas falavam sobre Jaime: namorado de Sandra e ex-namorado de Juliana. Ele ainda mantinha amizade com sua ex, sem perceber que ela tinha esperanças de voltar com ele. Ele realmente gostava de Sandra, mas seus sentimentos por ela não estavam amadurecidos.


— UAU! Você já é adulta? Mas parece ser de minha idade! – Jaime conversava com Açucena, perto do aparelho de som.
— É que sou baixinha mesmo, mas eu também floresci recentemente. – Respondeu a jovem planta-sim, sem notar a intenção de Jaime.


— Que coincidência. Daqui a pouco eu serei um adulto e vou para a faculdade fazer programação, aprender a desenvolver jogos.
— Parece coisa de gente muito inteligente. E deve ser bem legal!
— É muito legal. E eu e meu pai gostamos disso. E você? Tá solteira?
— Como assim?
— Tá com namorado? Paquera? Ficante?
— Ah! Um parceiro! Ainda não. Estou esperando o par ideal para mim. A gente não precisa ficar com apenas um, mas acho tão lindo quando um casal se dedica um ao outro!


— Se daqui a alguns meses você ainda estiver sem parceiro, a gente podia sair junto? – Jaime não perdeu tempo.
— Para quê? – A garota de cabelos cor-se-rosa ainda não sabia do ritual humano de flerte: elogiar, sair e namorar.


— Seus cabelos são tão lindos. A gente podia sair, trocar informações e você podia ser a minha heroína do jogo que vou desenvolver.
— Heroína? O que é isso?
— A personagem principal que salva todo mundo. Elas costumam ser extremamente lindas como você.


Sandra estava tão perto que pôde ouvir as palavras de Jaime, que simplesmente tinha esquecido da existência da namorada. E percebeu que ele estava paquerando a planta-sim.


— Ela vai ser o quê?!! – Falou Sandra, com cara de poucos amigos, enquanto cutucava Jaime.
—Ei! Isso dói, sabia? E só a estou convidando para fazer parte do projeto...
— Com essa voz melosa de sedutor cafajeste? Tá pensando que engana quem?
— Não é nada do que você está pensando!
— Quer saber? O nosso namoro acabou! Não nasci para ser feita de trouxa.


Enquanto isso, Juliana tinha chamado Açucena de lado para reclamar com ela.
E os pais dos jovens, ao notarem a briga, foram acalmá-los.


— Calma, querida! Você é tão nova. Não chore. – Estela tentou consolar a filha.
— Estou com tanta vergonha!!! De mim mesma!!! De tudo! Como fui tão burra!!!
— Vergonha de quê? Quase todo mundo já foi traído nesta vida. – Mariano disse.
— Mariano! Isso não está ajudando! – Estela reclamou com o marido.
— Mas não é verdade? Poucas pessoas nessa vida não se sentiram traídas. Você e eu somos exceções. E nossa nenê logo vai achar alguém fiel, que nunca a faça sofrer.


— Você acha, papai? – Sandra ainda tapava os olhos para ninguém ver as lágrimas.
— Claro. Você é linda como a sua mãe e tem um coração maravilhoso. Logo achará alguém que a valorize. – Mariano falou, cheio de confiança.


— Desta vez o seu pai tem razão. Você merece o melhor e nem sempre o melhor mora ao lado. Vamos pra casa?
—Não! Eu vou sozinha e vocês ficam. Não é justo a festa ser estragada pela nossa ausência. E tem o meu irmão. Ele tá se divertindo. Eu vou para casa sozinha porque não estou me sentindo confortável com isso, mas lembrem-se de dizer que deixei um beijo para todos.
— Ok. – Estela e Mariano responderam em uníssono, sem tirar os olhos um do outro.
Fazia tempo que o casal não concordava com algo. Ficaram felizes e um admirava o outro, como se fosse a primeira vez. Juliana acreditou que poderia achar alguém que olhasse para ela da mesma forma que os seus pais pareciam hipnotizados um com o outro.
Do outro lado, André Martins falava com o filho:


 — Já tinha te falado que não se deve brincar com o coração das pessoas.
— Desculpe, pai. Não foi por mal. É que me esqueci que já tinha namorada. Você viu como ela é linda com aquele cabelo rosa?
— Quando se ama não se esquece desse amor. Se não ama Sandra de verdade, é melhor romper. Você deve pedir desculpas às duas meninas. Sandra está se sentindo traída e com razão.
— Acho que você está certo, pai.
— Foque em seus outros interesses e até achar o amor, pode ficar com alguém, mas somente se ela souber que as suas intenções são passageiras. Namoro é coisa séria.
— Ok, pai, mas não vejo Sandra para me desculpar. E pelo empurrão que ela me deu, Sandra não irá querer falar comigo hoje.
— Vamos pra casa. O clima ficou estranho mesmo. Depois que ela se acalmar, você a procura e resolve tudo.


— Nada disso, pai! Eu vou pra casa, até porque quero jogar aquele seu novo projeto. Tá muito legal!
— Sério? Gostou mesmo? – Martins disse surpreso e feliz.
— Claro! Eu vou porque mais nada aqui me interessa – A planta-sim também tinha sumido de seu campo de vista. – Já você fica e vê se acha uma namorada!
— Ok. Mas você tá de castigo. Nada de videogame a partir do momento que chegar em casa.
— Qualé, pai!
— Não vai adiantar eu dizer que é a partir de agora, já que não estarei ao seu lado. Mas espere eu chegar! Aproveite enquanto pode!
André Martins era um designer de videogames, mas após a morte de sua esposa, perdeu a criatividade e o emprego, antes de virar corretor de imóveis. Após a conversa que teve na casa de André, desenvolveu uma ideia e a antiga empresa o tinha chamado de volta. O fato de seu filho ter gostado do novo jogo o animava a continuar trabalhando no projeto.


Após a saída dos adolescentes, os pais se encontraram:
— Ainda bem que tudo se resolveu. – Mariano disse, alegre.
— Na verdade, só saberemos daqui a alguns dias, quando eles se acalmarem, mas estou feliz porque hoje, aparentemente, não haverá mais brigas entre eles. – Estela comentou.
— Obrigado por não ficarem chateados comigo – Martins disse, já que o seu filho era o pivô do desentendimento das adolescentes.
— Se a gente ficasse chateado com todos pelo que nossos filhos aprontam, a gente ficaria com cabelo branco antes do tempo. E assim como quando eram crianças, logo farão as pazes. – A ruiva Alexandra disse.
— Que o Grande Prisma te ouça, Alê. Agora vamos curtir a festa. Estou com fome. – Disse Gabriel, sempre prático.

Do outro lado da casa, André mostrava a pequena plantação dos Verdeclaro para Carol:


— Como a cidade é agropecuária, a maioria das casas tem seu próprio quintal com árvores ou um pomar. No mínimo, tem um canteiro.
— Já notei isso, mas como você morava em um apartamento, nunca poderia imaginar que você já tinha sido um homem do campo.
— Não sou apenas um homem bonito; sou um homem cheio de surpresas, tá vendo?
— Verdade – Carol riu com o marido. – Mas porque o espantalho? Pensei que só era necessário em culturas de milho ou trigo.
— Na verdade, é para espantar qualquer animal que goste de grãos, que, em geral, são aves. Mas há uma lenda de que, em séculos passados, a área era invadida sempre por corvos e lobos. E o espantalho ajudava a manter os dois afastados das casas e plantações.
— Corvos e lobos? – Carol estranhou.


André contou a história fazendo suas caretas:
— Em noites de lua cheia, tanto lobos quanto corvos vinham à região. Os lobos para morder e transformar as pessoas em lobisomens e, assim, aumentar sua alcateia, enquanto os corvos vinham somente para sequestrar e devorar as criancinhas. E os dois eram inimigos mortais entre si. As lutas entre lobos e corvos poderiam durar toda a noite.  Para se precaver, todo cidadão, com ou sem plantação, adotou o espantalho em seus quintais.
— Que maldade com as crianças! E o que aconteceu?
— Ou os espantalhos puseram todos pra correr ou os lobos tiveram um surto de pulga e os corvos resolveram mudar a dieta. Sei lá.
— Sei lá? Mudar a dieta? Que fim decepcionante.
—Desculpe. Vou tentar deixar a história mais interessante da próxima vez.
— Tenho certeza que sim. – Carol o tranquilizou. – Pelo menos, desistiram de pegar as crianças.
— Sabia que você ia gostar dessa parte.


Durante o tempo que falavam, Martins chegou a eles correndo e disse logo:


— Finalmente os achei.
— O que houve, Martins? – André perguntou.
— Nada demais. Só quero aproveitar a chance para agradecer aos dois pela história das bruxas. Se não fosse aquele papo do jantar, eu não teria tido a ideia para fazer um novo jogo de guerra entre bruxas do bem e do mal. – Martins esclareceu.



Carol olhou para o marido mais atentamente enquanto ele falava com Martins.
— Errrr... De nada, cara, mas não tem o que agradecer. Naquele dia, a gente só tava conversando bobagens e...
— Bobagem ou não, eu comecei a desenvolver um protótipo, liguei para a minha antiga empresa, que gostou da ideia, e me recontrataram! Voltarei a trabalhar com o que mais gosto: fazer jogos! E meu filho está me ajudando com a programação, além de testar o jogo e... Me desculpem. Tô me delongando.


— Não está se delongando, não. Continue. Estou gostando de seu entusiasmo. Concorda comigo, André? – Carol perguntou ao marido.
— Hã... Claro! Continue. – André confirmou, sem muita convicção.
André estava sem jeito por Carol estar ali e ela não saber da conversa que eles tiveram. Martins se dirigiu a Carol.


— Bem... Eu, diferente de vocês, não conheço toda a história, e como Dedé disse que você tinha livros a respeito, gostaria que me dissesse os nomes dos livros ou autores e tal. Tudo o que Léo sabia já me passou, mas tenho de ter cuidado com direitos autorais e tenho que evitar fazer plágios, né? Quero que minha ideia seja original, mas com bases.
— Você está certo sobre verificar se mais alguém já fez algo parecido. – André disse.
— Conheço alguns livros, mas como não posso emprestar, por não ter os livros aqui, darei a lista amanhã para você consultar o que pode ser usado e o que seja de domínio público. Ou o que você pode alterar para ser uma ideia só sua.


— Valeu, gente. Vocês são demais! Vão voltar à festa agora? – Martins perguntou enquanto abraçava André.
— Não foi nada e daqui a pouco voltaremos. André está me ensinando umas coisas sobre agricultura aqui. – Carol respondeu.
— Pois é. Logo, logo voltaremos. – André confirmou.
—Beleza, então. Fui lá. Terra realmente não é comigo. – Martins se despediu, finalmente.


Quando Martins estava longe e não viram nenhum sinal de outra pessoa próxima, Carol indagou:
— História de bruxas? E desde quando eu te disse que tinha livro a respeito?
— Você confirmou agora que tinha!
— Aaaaandré! – Carol disse devagar a primeira sílaba, com um tom proposital falsamente doce.
— Ok! É que eu tenho uma teoria e eu queria maiores informações, se possível, evidências concretas, antes de passar tudo para você.
— É sobre aquela luz azul? – Carol perguntou, séria.


— Sim. Desculpe por guardar a informação, mas é que não quero preocupá-la à toa, se eu estiver errado. – André disse, sério.
— Tudo bem. Não gosto de segredos, mas reconheço que eu mesma não estava dando muita importância a isso. Ainda acho difícil acreditar, mas como é algo que te preocupa, quero que me conte tudo quando estivermos em casa e prometo ser o mais séria possível sobre o assunto. Tudo bem? – Carol aproveitou e pegou as mãos do marido para transmitir confiança.


André abraçou a esposa, feliz por ela não ter ficado furiosa com ele, além de prometer que levaria o assunto em consideração.
— Tudo bem. E obrigado.
— Vamos voltar logo. Já deram por nossa falta e podem achar que estamos fazendo coisa errada. – Carol pediu.
— Mas antes de entrarmos, quero sentir o cheio de seu cabelo. Já falei que gostei do vestido?
— Calma lá, Soldado! Se comporte. Estamos em uma festa de criança. – Carol alertou de forma realmente afetuosa desta vez, chamando-o pelo apelido dado por ela.
— Se eu me comportar, ganho beijinho?


— Vou pensar em seu caso, mas vamos entrar, antes que eu mesma apronte. – Carol disse, já enrubescida, tanto pela vergonha de alguém vê-la beijando André, já que estavam próximos à rua, como por ter gostado do abraço.
— Você é quem manda.
André não pensava em fazer nada em público, mas a ideia de deixar a sua mulher de cabelos vermelhos ainda mais corada era muito tentadora. A noite anterior tinha sido um enorme passo para ela e ele procurava respeitar o tempo dela.

Minutos depois os homens se encontraram perto da churrasqueira:


— Agora sim! Carne! Muita carne! – Léo comemorou.
— Cheiro bom de carne grelhada. Tem até bisteca! Estou apaixonado por você, Jason. – Martins brincou com o amigo e dono da casa.
— Desculpe, cara, mas sou um homem muito bem casado. Perdeu! – Jason entrou na brincadeira.
— Hummm! Já podemos nos servir? – Gabriel perguntou a Jason.
— Claro que sim! E podem pegar suco de cevada, néctar e outras bebidas na outra mesa. – Jason respondeu.
— Dedé não bebe. Tem medo de álcool, né? – Martins brincou.
— Não gosto de álcool. É diferente. – André esclareceu.
André nunca tinha contado a ninguém o motivo real de não gostar de bebidas alcoólicas. Para desviar do assunto, André mudou de lugar e abusou Gabriel:


— Espere! Antes de se servir, responda primeiro: para quando será a criança? O seu obstetra disse que você podia comer churrasco?
— Sem graça. Estou apenas um pouco acima do peso. – Gabriel se defendeu.
— Um pouco? Você ontem era magrinho e agora está valendo por dois! – Martins também não ia perder a chance de zoar.
— Bem... É que... – Gabriel ainda não tinha se acostumado com a nova silhueta.
— Calma, rapaz. Explique aí como conseguiu esses quilinhos a mais. Foi muito repentino e é claro que todos nós estamos curiosos. – Mariano esclareceu.
— É que depois que eu e Alê reatamos, nós temos ido muito a jantares. Isso quando ela própria não faz questão de cozinhar. E ela ficou excelente na cozinha: faz cada comida maravilhosa! E vocês sabem que tenho alergia a exercícios físicos.


— Alê fisgou Gabriel pelo estômago! – Jason, irmão de Gabriel, tirou sarro.
— Falando sério agora. Você tá legal, mas tem que se cuidar com colesterol, pressão alta, o seu IMC... Procure um médico. Mudanças bruscas de peso são ruins para o corpo, pois ele não está acostumado. – Esclareceu Mariano.
— Conheço uma nutricionista, linda por sinal, que pode te ajudar com uma dieta equilibrada. E depois você entra numa academia para um dia ter músculos como os meus. – Léo disse.
— Nutricionista linda e mulher? Quer que eu apanhe de Alê? – Gabriel disse, sério.
— Se quiser se exercitar, enquanto eu estiver na cidade, conte comigo para ser seu treinador, mas só depois de uma consulta clínica. – André se ofereceu.
— Estão loucos?!! Só de pensar em flexão e malhar já me canso!
Todos riram com a resposta de Gabriel.


Na mesa estavam sendo servidas as saladas. Carol aproveitava para conversar com os plantas-sims e conhecê-los melhor. Na outra ponta da mesa estavam as amigas Cléo e Patrícia:


— Sério que não está chateada pelo seu antigo crush estar conversando ali com uma outra? – Patrícia, de cabelos na altura do ombro, perguntou à amiga, se referindo a Léo.


— De modo algum. Isso é passado e o mundo continua girando. Inclusive, da última vez que nos falamos, ele demonstrou muito interesse em você. – Cléo, de cabelos longos, comentou.


*Confira o Capítulo 8.


— Como assim? – Cléo estava surpresa.
— Vá lá e invista! Jogue seu charme. E esqueça o casal dançando atrás de mim. Acha que não vi que estava olhando para eles? – Cléo se referia ao antigo namorado da amiga, Gabriel, que foi pego em flagrante reatando com a ex-esposa, Alexandra.


*Reveja no Capítulo 5.

— Acho que é tudo coisa de sua cabeça.
— Pode ser. E pode não ser.
— Quer saber? Vou atrás de um café. Você está viajando na maionese: Léo gostar de mim? Eu ainda gostar de Gabriel?
— Vá atrás de seu café, enquanto ando um pouco. – Disse Cléo.


Outras pessoas se sentaram à mesa. Carol soube que todos eles nasciam com o mesmo cabelo de Rosa, mas tinham desenvolvido poções que permitiam ter cabelos como os dos humanos. E quando os plantas-sims estavam desidratados, a pele e a cor dos olhos ficavam escurecidas, e as folhas da cabeça ficavam ressecadas, como era o caso de uma planta-sim presente, chamada Passiflora, que tinha voltado para Colina Formosa para se cuidar melhor, após viajar para outros locais. Apesar de todos a acharem linda com a pele em tom mais escuro, ela se sentia fraca fisicamente. Carol também notou que todos ali gostavam realmente de Rosa e do seu povo.


Enquanto Patrícia fazia um novo café para si, Léo entrou na cozinha e disse:
— Paty? Você também gosta de café?
— Claro! E quem não gosta? – Patrícia respondeu, após se virar.


— Eu conheço muitas pessoas que, ao contrário de mim, não suportam cafeína. E você tem jeito de ser zen.
— Não mesmo! Só se for “zen” dinheiro. E eu amo café. Sou quase viciada nele.
Léo gostou e muito da informação, pois gostava da oriental, mas pelo jeito dela ser, achava que não tinha chances, mas agora tinha encontrado um ponto em comum.
— Já eu sou um viciado assumido. Estou pensando até mesmo em cultivar café na fazenda. Tá fazendo quantas xícaras de café? Tem para mais um?


— Bem... Eu fiz duas xícaras, mas eram só pra mim. No entanto, dividirei com você.  – Patrícia disse.
 Valeu pela consideração. Além de linda, você é muito legal.
Patrícia pensou nas palavras da amiga. E se Cléo tivesse realmente perdido o interesse no fazendeiro doido por café, não seria problema ela tentar algo com ele.
 E a sua amiga verde? Ela não bebe café? – Patrícia sondou se ele tinha interesse na planta-sim.
— Não somos amigos. A gente só se conheceu hoje, mas ela é gente boa, e pelo que me disse, ela não bebe, mas agora eu quero saber de você. A gente quase nunca se vê.
Os dois sentiram um interesse mútuo e passaram a conversar amenidades para se conhecer melhor. E quase se esqueceram de tomar o café e voltar à festa.


Os mais velhos conversavam sentados confortavelmente na sala de Rosa e Jason.


— Dá para acreditar que esta sem noção, depois da velhice, resolveu vestir shortinho? – Bete comentou para os amigos.


— Ela quer o quê? Tá o maior calor. E eu vim para uma festa na piscina! Vou usar casaco agora? Bete tá com problemas. – Catarina expôs sua opinião.


— Concordo com Catarina. O dia tá mesmo muito quente. Se eu pudesse, vestiria menos roupa, mas não tô a fim de sair mostrando pelanca! – Pedro disse, bem-humorado.
— Catarina! O calor está intenso demais, porém, tem que pensar na compostura e no exemplo que vai dar aos mais novos. E como Pedro disse, o nosso corpo não é mais o mesmo de quando éramos mocinhas. – Marta completou.


— Falem por vocês. Eu estou malhando para ficar enxuta. E por sinal, vou à piscina mostrar o novo shape. Eu trouxe maiô para isso. – Catarina disse.
— Vou atrás dela, mas para me refrescar, porque não sou babá de velha. Ainda bem que ela trouxe um maiô ao invés de fio dental. – Bete declarou antes das duas se levantarem.


Enquanto Pedro e Marta conversavam sobre as amigas, Rosa tentava acalmar a pequena Margarida, mas sem sucesso.
— Ôh, meu amor! O que é? Já estou desesperada! Não é fralda molhada e nem fome. Trouxe você para cá justo para fugir do calor. O que a está incomodando?
Apesar das palavras de carinho, Margarida não parava de gritar e espernear, para o desespero da mãe.


Naquele instante, Carol entrou na sala, no mesmo instante em que Rosa colocava a filha no chão, com todo o cuidado.


— Filhinha! Assim não dá! O que você quer? Brinquedo? Mais suco? Estou ficando doida já! – Rosa disse para a filha, enquanto Carol esperava poder falar com ela.


Rosa notou a convidada ao lado e se dirigiu a ela, mas sem desviar os olhos da criança:
— Está tudo bem, Carol? Está faltando algo na festa? Comida? Bebida?
— Na verdade, nada falta lá, mas tenho interesse em mais informações sobre aquela sua poção capilar. E se possível, levarei já uma embalagem.


— Ah!!! Então você gostou mesmo?
— Claro que sim! Meu cabelo está forte e, depois, aquela aparência de ressecado foi embora, mas eu quero para uma criança. Eu preciso que você me informe a quantidade exata que ela pode usar. Isso SE o produto puder ser usado mesmo por crianças. Não pode haver erros! Estou falando de uma criança da mesma faixa etária de Margarida, mas com saúde mais frágil.
— Óbvio que pode ser usado por crianças, mas a quantidade é muitíssimo menor. Vou lhe dar tudo anotado, mas agora não dá. Não tenho estoque aqui e a bebê está precisando de mim agora e estou até sem cabeça para outras coisas. – Rosa disse, preocupada.
— Não tem problema. Quando o tiver em estoque, me avise, que te darei o endereço para você mandar direto para a mãe da criança. – Carol a tranquilizou.


Ao ver que Rosa estava quase tendo um colapso nervoso pela festa e pelos gritos da menina, Carol disse:
— Se quiser, eu fico com ela, enquanto você anota as informações do tônico e pode até descansar enquanto olho a miúda. – Carol se ofereceu, mas achando que a oferta seria rejeitada.
— Perfeito! Fique aqui que já volto.
Rosa agarrou com unhas e dentes a chance de ficar longe do berreiro de Margarida por alguns instantes; aproveitou os minutos para descansar a mente. Ela amava a filha, mas os gritos a tinham deixado com dor de cabeça (como é comum com qualquer mãe).


Carol pegou a criança no colo e começou a cantarolar. Ao mesmo tempo, uma energia de tom azulado saiu de seu corpo. A menina se acalmou mais e Carol passou a falar com a bebê Margarida:


— Engraçado. Consigo ter muita empatia com você. Parece que te entendo. Não sei explicar isso.


A menina voltou a balbuciar, enquanto a abraçava pelo pescoço, e Carol respondeu:
— Acho que você quer ir lá pra fora, onde faz mais sol e tem muita gente. É isso mesmo? – Após uma confirmação de cabeça, Carol continuou – Sua mamãe tem medo de que tomar muito sol acabe te prejudicando. Vi que você ficou muito tempo lá fora e tem muita gente ouvindo música alta e até vi gente brigando. – A criança fez uma cara tristonha – Não se preocupe. Eram crianças e tudo já se resolveu, mas a sua mãe não quer te expor, entende? Depois falarei a ela para que você possa ficar mais um tempo lá fora, antes de bater os parabéns. Tudo bem? Vamos ver seus presentes agora?


A menina fez sinal de que tinha concordado. Marta e Pedro estavam sentados muito próximos delas. Ao notarem o brilho azul saindo de Carol, levantaram:
— Você está vendo isso, Pedro? – Marta sussurrou para Pedro.
— Nunca pensei estar vivo para ver. Eu te disse que elas... – Pedro foi interrompido pela companheira.
— Psiu! Vamos para fora, antes que ela nos veja.

Por volta de 17 horas, era o momento dos parabéns.


Todos se reuniram próximos à mesa.


Jason levou a pequena Margarida até o bolo e lhe mostrou como soprar as velas.


Depois a colocou no chão, com muito cuidado e carinho, sob a orientação de Rosa, para que a menina pudesse “florescer”.


A bebê se transformou em uma mulher adulta. E uma chuva de folhas de roseira caiu sobre Margarida.


Após o processo de transformação, onde todos estavam felizes por ter presenciado o crescimento de uma planta-sim, muitas das mulheres convidadas fizeram questão de rodear Margarida, ávidas em transmitir seus conhecimentos sobre moda. Rosa ficou muito feliz pelo tratamento que as amigas deram a sua filha, pela forma como a acolheram em sua nova fase da vida.


E Rosa tentou entrar no quarto de Margarida onde as mulheres a vestiriam de forma mais casual, mas foi barrada por Estela.
— Porque não posso entrar? Sou mãe dela! – Rosa reclamou.
— Queremos fazer uma surpresa para você.
— Mas quero ver!
— Nã-nã-ni-nã-não! Quando ela estiver pronta, você pode emitir a sua opinião, que será bem-vinda, mas agora, deixe-nos fazer o nosso trabalho. Você já a teve por toda a infância dela e depois de a transformarmos, Margarida voltará para você.
— Mas...


— Sem “mas”. Vá comer bolo, vá descansar... Vi que você quase não ficou parada hoje. Aproveite, descanse e vá namorar seu marido.
— Você consegue ser tão chata às vezes! Mas é tão convincente. Tá bom. Vou esperar ao lado de Jason. – Disse Rosa, abraçando Estela.
— Excelente ideia! — Estela confirmou.


Enquanto Rosa se distanciava, Estela pedia ao Grande Prisma para que a ideia de Jason desse certo.


Na lateral da casa se encontravam André e Carol.
— Cadê meu beijo? – André perguntou.
— A gente acertou que durante o aniversário da menina não ia ter nada. E primeiro você tem que me contar uma história para depois eu poder pensar em seu caso. Lembra?


— Mas a criança já cresceu! E é só um beijinho. As suas mãos macias estão com um cheiro tão bom de frutas vermelhas.
— Ai, André! – Carol disse, já seduzida.


Carol estava quase cedendo, mas após ouvir um barulho, se voltou tão rápido que, sem querer, a sua mão, a mesma chamada de macia pelo esposo, bateu contra o estômago de André.
— Ai!!! – André gemeu de dor.
— Fique quieto. Tem gente perto. – Carol sussurrou, achando que o marido estava apenas frustrado por não ter recebido carinho.


E viram a planta-sim, de nome Passiflora, fazer massagem nas costas de Jason.


— Mas que safadeza é essa?!! Ele é um homem casado! – Carol sussurrou, irritada.
— Calma! Pode não ser o que você imagina. – André disse, também cochichando e já esquecido da dor.
— Mas não é uma massagem qualquer. Está muito íntimo. Vou dar um sopapo nele!
— Vamos continuar olhando para ver como termina. – disse André, ao notar que a mulher estava quase saindo do esconderijo.


— A dor nas costas diminuiu? – Passiflora perguntou.
— Sim. Obrigado. – Jason respondeu.
— Você tem braços tão fortes, mas até aço precisa de cuidado. Você precisa de alguém que sempre te apoie, te cuide...
— Rosa já me apoia. Só que ela está muito ocupada também.
— Mas você precisa de mais. A festa estava tão linda. Você fez um excelente trabalho.
— Obrigado, mas muito foi ideia de Rosa. Passiflora não é a flor de maracujá? – Jason disse, mudando de assunto.
— É sim, mas o nome quer dizer “Flor da Paixão”. E acho que você precisa de mais paixão na sua vida. – Disse Passiflora, de forma sedutora.


— Ele vai trair Rosa? Eu esperava mais dele. Coitada de Rosa! – Disse Carol, baixinho, inconformada com a situação.
— Pensei que você a odiasse e está tomando as dores?
— Uma coisa é ficar chateada com uma pessoa. Outra coisa é você desejar o mal dela. E, além disso, com o tempo vi que ela não era má como parecia; só é tonta mesmo.
André sorriu feliz pela sua esposa não querer se vingar da outra mulher, validando a sua teoria de que ela fosse realmente uma pessoa de caráter gentil e bom.
Os dois estavam escondidos atrás de uma sebe e, por sorte, havia alguns arbustos grandes, de flores alaranjadas, chamadas de “Ave-do-Paraíso”, que se confundiam com o tom de cabelo de Carol.


Ao mesmo tempo em que Passiflora conversava com Jason, Rosa chegava na porta e via a mulher alisando o braço de seu marido.


— Vocês podem me esclarecer o que está havendo? – Rosa exigiu.
— A gente estava conversando. – Jason disse.
— Não me venha com conversa fiada. Eu vi tudo!


— Ah, não! Ela descobriu da forma mais dolorosa! – Carol disse, apreensiva.
— Psiu! Cuidado para não chamar atenção! – André alertou novamente.


Enquanto Carol e André olhavam escondidos, Rosa cutucava Passiflora, diante de um Jason surpreso com a fúria da esposa.
— Fique longe de meu marido, senão eu podo seu cabelo falso, sua planta ressecada!


— Calma lá! Você está me machucando!
— Você nem viu nada ainda! Ao contrário da sua, a minha seiva está ótima! – Rosa falou, referindo-se à saúde da outra.


— Quer saber? Quem manda você não cuidar dele? Ele fez várias concessões por você e o que você dá em troca? Nada! Até a gente, em nosso meio, faz concessões aos nossos parceiros, mas você é egoísta!
— Você não sabe o que está dizendo! – Rosa rebateu.
— Claro que sei. Ao contrário de você, aprendo com os outros. Vi como eles se comportam e o que esperam dos parceiros. Continue assim, que logo Jason se cansa de você e encontrará outra que dê a ele o que precisa. ADEUS! – Passiflora disse, enquanto saía.


— Nem pense em me largar! Ouviu bem? Outra nunca será como eu. – Rosa disse, brava com Jason.
— Mas, querida...


Rosa deu um beijo inesperado em Jason, sob os olhos atônitos de Carol e André.


De dentro do carro, Passiflora podia ver o casal se beijando e pensou: “Parece que o meu trabalho acabou. Agora é com Jason”.


Para dar privacidade a Jason e Rosa, André puxou a companheira do esconderijo.


— Eu não disse que talvez não fosse o que imaginávamos? – André perguntou.
— Mas você viu...
— Eu e você vimos Passiflora dando em cima dele. E ele falava no nome da esposa a todo o momento. E se fosse traição real, você acha que isso ocorreria na frente de casa?
— Você acha que foi tudo armação? – Disse Carol após alguns segundos.


— Tenho certeza que sim. Esta semana, Jason deixou escapar algo sobre ter um plano, já que Rosa de vez em quando tinha recaídas de paixonite. Viu como ela o beijou? Ele deve ter planejado tudo. Fique tranquila.


— Você não está tentando salvar a pele de seu amigo, está? – Carol ainda perguntou.
— Olhe para mim e diga o que você realmente acha.
Após analisar atentamente o rosto do marido, Carol disse:
— Acho que você está dizendo a verdade. Agora entendi o motivo de você estar tão calmo. Você também queria ver o barraco. Confesse!


— A gente quase não vê nada aqui. E duas plantas-sims brigando seria uma baita novidade! Ao invés de arranca-rabo teria arranca-folha! Como elas puxariam o cabelo uma da outra? Isso é pergunta científica! – André disse rindo.
Carol não aguentou e riu também.


— Você não tem jeito! E por que nada me disse da conversa dele?
— Porque quando cheguei em casa e a vi, me esqueci deles. Tenho culpa se prefiro você a Jason?
Resolveram se juntar aos outros e curtir o resto da festa.


Enquanto isso, Pedro e Marta ponderavam sobre o que tinham presenciado.




Jantar em silêncio



Devido ao horário, ficou acertado que a conversa sobre a teoria de André só poderia acontecer quando os pais dele estivessem dormindo. Apesar da curiosidade, Carol concordou e foi ajudar a fazer o jantar.


Por causa da dieta de Pedro, ele e Marta comeram pouco na festa. E Marta já tinha confiado a Carol a sua receita especial de sopa.



Carol e André estranharam que os mais velhos estivessem calados. André puxou assunto, mas não conseguiu muito dos pais. Assim que finalizaram a refeição, os pais foram para a sala e Carol perguntou ao esposo, em voz muito baixa:


 Estou preocupada. O que será que houve que os deixou tão calados? Eles sempre conversam à mesa!


— Logo saberemos, mas não deve ser nada demais. – André disse, para tranquilizar a esposa e a si mesmo.


Por ter apenas um sofá na sala, André e Carol sentaram praticamente colados um no outro, de um lado, com o pretexto de dar espaço aos pais, mas na verdade, os dois queriam sentir a proximidade do companheiro.
— Conta aí, gente. Gostaram do aniversário? – André puxou novamente assunto.
— Gostamos. – Pedro respondeu, sem jeito.
— E por que estão tão quietos? Foi tão cansativo assim?


— Na verdade, a gente quer saber quando Carol ia nos contar que é uma bruxa. – Marta disse, sem preâmbulos, para desagrado de Pedro.


E também para o desconcerto do filho e da nora, que não sabiam o que dizer.


Continua...



Agradecimentos


A Denise Martins, criadora dos grandes e carismáticos detetives Nelly e Marlon e da magnifica história Casos Ainda não Solucionados que você pode acompanhar clicando aqui, e foi responsável pelas lindas fotos do casamento. Obrigada de coração, Deni!
A Sally Winter pela cooperação em tudo e por ter criado Elenor e Leena, que são meus xodós! Elas são personagens da história de Axl Logan que você pode ler/reler aqui.



4 comentários:

  1. Aos comentários:
    1- Acho que agora Carol engravida! A sogra resolveu colaborar!
    2- André virando o carinha da friboy?
    3- “Acabou de esquecer que trepadeiras estarão por lá?” Ri alto aqui!
    4- Planta sims são bem inocentes em?! Açucena provavelmente nem notou o flerte
    5- Esse lado do André não conhecia. Ele queria mesmo ver a mata pegar fogo?

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    Respostas
    1. Oi Tatsumi!

      Indo aos comentários:
      1 - Tomara que agora a coisa antes! Já tem torcida organizada até!
      2 - Pode confiar que ele sempre teve! Mas como sempre anda de camisa, a gente nem lembra. :)
      3 - Eu também ri! kkkkkkkkkkkkkkk
      4 - Sim. São muito inocentes. Por isso que Carol e quase todos já perdoaram Rosa. :)
      5 - André em geral é muito sério, mas com amigos e familiares, ele gosta de brincar e zoar. E ele também de ver uma boa briga, se não for tão séria. Carol é que odeia ver discussões. Ri muito aqui com "a mata pegar fogo". kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Obrigada por ler, Tatsumi!

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  2. Oiiiiii, Déaaaaaaa! :D
    Comentandoooooo:

    1. Que lindaaaaa a carol sentadinha na cama escrevendo no diário dela!
    2. A festa de Nelly foi muito bonita mesmo! Foi muito legal ver nossas personagens juntas lá: Nelly, Carol e Elenor! :D S2 A Deni arrasou muitoooo! :D
    3. Que foto maravilhoooooosa essa de Carol dançando juntinho com André! Ela está MUITO linda, cara! Ela já é linda, mas está ainda mais!
    4. Linda a camisola, lindo o detalhe do cabelo preso e de ela soltá-lo; e mais lindo ainda como os dois se tratam! E preciso dizer: essa cena ficou perfeita! O “dar a entender” é tão mais bonito e elegante! Amo muitooooo que vc também faz recurso desse estilo de narração.
    5. Ficou muito legal a cena de D. Marta dando o vestido para Carol. Eu adoro a Marta, porque apesar do jeitão dela meio duro, está claro que ela tem um bom coração e que gosta da nora. Ela tem dificuldades de falar as coisas, mas ela mostra muito do que sente com seus atos. É uma pessoa de ação. :) S2
    6. D. Marta e Carol não se esquecem de Rosa olhando para os maridos delas. Eu também não esqueceria não! Ai, ai! Rs...
    7. D. Marta deixou Carol ainda mais bela! :)
    8. Cara, que carro massaaaaaaaaaaaa esse verde neon (não a cor, mas o carrão! Rs...)!
    9. A Açucena é linda! Mas que feio o Jaime dar em cima da guria quando ele tem uma namorada, a Sandra.
    10. Estela e Mariano são ótimos pais. Gostei da força que eles deram à filha.
    11. Também gostei do puxão de orelha que Martins deu em Jaime. Muito bem dado!
    12. Linda demaaaaaaaais a pequena plantação dos Verdeclaro! Amei muitooooooo!
    13. André contando a história dos lobisomens e corvos para Carol é um barato! Huhauhuhaua... Eu ri! :D
    14. André foi pego no pulo, hein! Agora Carol sabe da pesquisa que ele andou fazendo com os amigos sobre o assunto “Bruxas”. Mas pelo menos ele explicou o porquê de não ter dito nada antes para ela e, depois, os dois ficaram de boa. Amo esse casal! S2 :)
    15. Muito legal os homens conversando ali! Ri um bocado! xD
    16. Parece que Léo e Patrícia se deram bem, hein! :)
    17. Me diverti muito com a conversa entre os mais velhos na sala. Huhauhuahuhau...
    18. Linda a cena da bebê Margarida com Carol! E, eitaaaaaaaaa! D. Marta e Seu Pedro viram o brilho azul e sabem do que se trata!!! :)
    19. Muito lindo o momento de bater parabéns! Muito legal a transformação da aniversariante e ameiiiiii os Gifs!!! :D S2
    20. Muito show as amigas de Rosa terem acolhido tão bem Margarida em sua nova fase! Elas foram muito legais!
    21. Ri muuuuito com Carol e André atrás da cerca ali observando a cena com Jason! Rs...
    22. Ameiiiiiiiiiiiiiiii que Rosa sentiu na pele o que faz com o marido! Agora ela aprende a respeitá-lo! Será? Espero que sim. :) Ah, e Passiflora é muito linda fisicamente! Lindo rosto! :)
    23. André: “(...) Ao invés de arranca-rabo teria arranca-folha! Como elas puxariam o cabelo uma da outra? Isso é pergunta científica!”. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Esses dois conversando juntos é um barato!!! Rs...
    24. E esse final bombástico após o jantar?!! Que massaaaaaaaaaaaa!!! Mal posso esperar para ver a conversa entre eles e o que mais será revelado!!!

    Déa, obrigada pelo agradecimento no final e, principalmente, obrigada pelo carinho e por compartilhar essa história maravilhosa conosco! S2
    Amei muitoooooo este novo capítulo e mal posso esperar pelo próximo! :D Mais uma vez você meeeega arrasou, minha amiga querida!!! Beijocas! :D

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    Respostas
    1. Oi Sally!
      Respondendo!

      1. Ownnn!! Que bom que gostou! Tb achei ela linda ali! E André, ao entrar no quarto, parece qe pensu o mesmo, pois a reação dele tinha sido real. Apenas não resisti e dei a fala a ele sobre vê-la na cama.
      2. Sim! Deni foi naravilgosa com todo o carinho para montar a cena! 3. E ver as 03 personagens juntas foi maravilhoso!
      4. Realmente eu prefiro só deixar apenas na entrelinha. Fica mais bonito e sensível. E valeu por gostar da escolha de figurino e destes detalhes do texto. Carol merece o melhor!
      5. Marta é realmente ranzinza, mas é leal, e prefere amar demonstrando isso, do que apenas com palavras. Carol também já percebeu isso, mas prefere respeitar o jeito da sogra, que até já lhe confiou a receita secreta de sopa!
      6. Ninguém esquece! Rosa é inesquecível! Kkkkkkkkkkkk Mas sério agora é uma situação muito chata mesmo, mas ainda bem que Jason já cuidou disso.
      7. Sim, Carol ficou linda! Marta sabe o que faz.
      8. Tanto que André nem ligou para a cor também. Só o modelo e o motor enchem os olhos!
      9. Exato! Açucena é linda, mas dar em cima dos outros sendo comprometido? Que feio, Jaime!
      10. Estela e Mariano dão um exemplo lindo a filha.
      11. Puxão de orelha + castigo. Jaime se deu mal! Rs.
      12. Rosa ama plantas! Se a casa fosse maior, eita!
      13. As caretas de André são ótimas! E ele gosta de histórias. Ele que arrume um final melhor e mais convincente para esta.
      14. O amor dos dois é lindo demais, fazendo sempre um cuidar e entender o outro! Mas a cara que ela fez ao descobrir o “segredo” foi boa!
      15. Conversa masculina é muito divertida! Tadinho de Gabriel!
      16. O amor pelo café une!
      17. Fio dental, novo shape... Esses idosos são demais!
      18. Carol com a bebê foi tão lindo! E agora fica a dúvida: o quanto eles sabem? Que medo!
      19. Festa linda! Amei a transformação! Já pensou em quantas fotos seriam se não fosse o gif? UAU! Mas era tão lindo que valia a pena! Obrigada por gostar do trabalho.
      20. Sim, elas não tem preconceito em aceitar o diferente. E Margarida poderá contar já com novas amigas.
      21. Eles escondidinhos foi muito engraçado. Ri litros ao fazer as cenas.
      22. Finalmente! Ela nem sabia o que era sentir ciúmes, ver outra dando em cima de seu amado. Depois desta, ela deve ter aprendido. Passiflora agradece o elogio. Ela é madura, ao contrário de Rosa, mas ama elogios como todas!
      23. Os teoremas de André. Kkkkkkkkkkkkkkkk
      24. Também estou ansiosa para saber o que eles mais sabem sobre Carol! Espero que eles tirem todas as dúvidas do filho e convençam Carol a entender os próprios dons.

      Eu que agradeço pelo carinho, por toda a ajuda e pelos seus personagens! Cada um melhor do que o outro! E eu não poderia escrever sem a sua ajuda, que já escrevia muito (em quantidade e qualidade) antes de mim! Obrigada de verdade!
      E obrigada pelo elogio! O próximo capítulo já esta no forno!

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